Em entrevista a Wladimir Pereira, o ator taubateano conta sobre sua carreira no teatro e televisão. Seu último trabalho foi na novela “O outro lado do Paraíso”

 

Faça um breve histórico da sua carreira.

Eu sou de Taubaté, e foi na minha cidade que comecei a fazer teatro amador num curso dado pela Prefeitura no antigo Barracão do DEC (Depto. de Educação e Cultura). Fiz muitos trabalhos aqui e nas cidades vizinhas, no período de 1990 a 1995. A necessidade de buscar outros lugares pra estudar mais esta arte tão fundamental e importante na minha vida, fez com que, em 1996, me mudasse pra São Paulo, sem conhecer nada e ninguém por lá. Me formei no Macunaíma (curso técnico), fiz faculdade de artes cênicas no Célia Helena e uma pós-graduação em dramaturgia.  Enquanto estudava, fui me enfiando em grupos de teatro, tive uma grande experiência no Teatro Oficina com o Zé Celso, fiquei 13 anos na Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, também trabalhei no Galpão do Folias e outros grupos que me convidavam pra atuar. Durante esses trabalhos, eu ministrava aulas de interpretação na Escola Célia Helena. Bom, sei lá! Foi assim que comecei. (Risada)

 

Qual era o seu sonho quando você foi para São Paulo e qual o seu sonho atual?

Meus sonhos… Esta pergunta me faz pensar muito sobre minha trajetória, porque me parece que no teatro, ou nas linguagens artísticas, se você para de sonhar, você mata a essência de um artista. Quando eu saí de Taubaté, em 96, o meu sonho era simples e claro na minha cabeça… (Risada) Queria estudar teatro e me mudar pro Rio de Janeiro para fazer novela. Mas quando se começa a fazer teatro, você percebe que os sonhos ganham novas dimensões e tudo o que você planejou de forma simples, precisava ser adaptado, dilatado… Eu ganhei novos acontecimentos. O teatro foi tomando conta de mim e foi exigindo outras coisas, que ultrapassavam esse primeiro sonho que eu tinha. Ele me ajudou a sonhar com novas metas, com novos encontros, ele me levou pra uma descoberta infinita do sonhar. Então eu descobri que eu precisava dilatar aquele sonho, de me formar e ir pra TV. Eu tive que descobrir mais e mais sobre o fazer teatro e isto leva tempo. Então acredito que o primeiro sonho não morreu, ele se transformou, tanto que estou fazendo TV, novela no Rio… (Risada) E este é o meu sonho atual, descobrir mais e mais a linguagem da Televisão. Talvez o meu sonho agora seja fazer mais novelas, minisséries, cinema… O áudio visual esta no meu sonho atual.

 

Nesses anos todos, houve algum momento que você pensou em desistir de ser ator?

Várias vezes. (Risada) Dos atores e atrizes que conheço, acho que todos já pensaram em desistir um dia. A grande questão é: conseguimos desistir? Eu não me vejo fazendo outra coisa e todas as vezes que estou afastado da profissão de “ator”, fico inquieto a procura de um novo trabalho.

Em 2000, você fez uma participação na novela Marcas da Paixão (Record) e depois em 2007, uma outra participação em Amigas e Rivais (SBT). Por que esperou 10 anos para voltar a fazer televisão?

Não sei! Talvez porque ninguém tenha me chamado e eu não tenha procurado isto também. Hoje me vejo dedicando minha energia e o meu pensamento (ação) pra que o áudio visual faça parte da minha vida. Eu quero fazer mais novelas, cinema, curtas-metragens, minisséries… Agora estou pronto pra estes desafios.

 

Como foi fazer a série Supermax da Globo?

Foi maravilhoso! Eu amei fazer por vários motivos: o produto era diferente, fazer terror em canal aberto, o personagem era desafiador, as pessoas envolvidas eram maravilhosas. Dividir cenas com Marina Ximenes e Cléo Pires foi um aprendizado que não tem preço. Eu realmente amei fazer Supermax. Sou muito grato por eles terem me escolhido pra este trabalho. Assim como fui picado pelo teatro, eu também fui picado pela dinâmica da Televisão. É uma linguagem que exige muito do ator. Adorei!

Ademir Emboava em Supermax – divulgação Globo

 

Como foi contracenar ao lado da grande dama da televisão, Glória Pires, em O Outro Lado do Paraíso?

Foi lindo, delicado, prazeroso, maravilhoso e todos os outros adjetivos que você possa imaginar pra descrever a experiência. Ela é uma grande pessoa, muito generosa, além de ser um monstro em cena. Eu só tenho a agradecer pela oportunidade de contracenar com ela. Foi sem duvida uma experiência muito gostosa e inesquecível.

 

Qual sua expectativa depois de fazer este personagem no horário nobre da Globo?

Eu não gosto de criar expectativa, mas na espera de me chamarem de novo pra trabalhar na casa. (Risada) Que este trabalho me leve a outros trabalhos.

 

Nos bastidores do Supermax, você ouviu várias vezes ser parecido com Jack Nicholson e agora, na novela das nove, com o Domingos Montagner. Isto para você é bom ou ruim?

Você disse o nome de dois grandes atores, isto só pode me deixar feliz. Mas eu acho que entendo o porquê da comparação. Quando eu estava fazendo o Supermax, o meu personagem tinha o mesmo tipo de energia do personagem do Jack Nicholson no filme O Iluminado. O confinamento transforma o indivíduo e ele faz coisas absurdas. Nossos personagens tinham semelhanças. Já com o Domingos, o personagem dele em Velho Chico e o meu, por ser um pescador, tinham muitas características parecidas. Pessoas simples, com uma energia mais branda. Pelo menos esta foi a conclusão que eu tive devido as comparações que fizeram. Fico feliz com elas.

Bastidores O Outro Lado do Paraiso – divulgação Globo

Qual ator ou atriz que te inspiram?

Todos os bons! (Risada) Sei lá, eu tenho alguns que sempre vem em minha mente quando eu penso em atuação: Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, Glória Pires, Tony Ramos, Lima Duarte… Isto falando de atores e atrizes brasileiros.  Já os de fora, me inspiro muito em Charlie Chaplin e Jerry Lewis… Com certeza me esqueci de muitos outros que me inspiraram e inspiram na profissão.

 

Com tantos canais pagos e essa febre de séries estrangeiras, como você vê o futuro da televisão e das novelas brasileiras?

Um futuro de transformações, isto é inevitável. O áudio visual se transforma muito rápido, as mídias, num geral, estão reformulando o jeito de consumir e ver estes trabalhos. O público mais velho assiste novela e está adaptado a ela, mas o público jovem vem de uma outra geração de entretenimento televisivo, onde as séries e os seriados tem uma outra dinâmica dramatúrgica, ou seja, isto afeta um ao outro. Tanto as novelas quanto as séries e as minisséries brasileiras vão se transformar também. Eu acho isto ótimo.

Ademir Emboava. Foto: Wladimir Pereira

O que um ator iniciante precisa fazer para conseguir um teste em novela?

Deve estudar e estudar muito. Assim como outras profissões, as pessoas estudam para se tornarem um profissional da área. Nós atores devemos estar sempre atualizados, fazer escolas de teatro, assistir peças teatrais, fazer cursos livres… Enfim, estudar sempre. Se você estudar, as oportunidades pra exercer a profissão vão aparecer. Claro que existem agências de atores, os agentes dos atores que te levam aos testes, mas se tudo isto acontecer e você não estiver preparado e estudado, de nada vai adiantar.

 

Mande um recado para os atores que estão começando e principalmente aos atores da sua terrinha Taubaté.

Espero encontrá-los em um trabalho em breve! Seja no teatro ou na televisão. Que com o nosso trabalho possamos divulgar nossa Taubaté e o nosso talento pro mundo.

 

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