Compartilhando Lobato, projeto do Almanaque Urupês de fomento à leitura, foi realizado com 30 estudantes da escola Amador Bueno da Veiga

Da Redação

Para quem conhecia o Sítio do Picapau Amarelo da televisão, foi uma agradável surpresa. Aos que nunca haviam lido um livro de capa a capa, uma conquista. Porém, para todos, houve  um triunfo inédito: resenhar, pela primeira vez, uma obra literária. Esse foi o saldo das atividades realizadas por professores e alunos da Escola Estadual Amador Bueno da Veiga, em Taubaté, a primeira a participar do projeto Compartilhando Lobato, realizado pela produtora cultural Almanaque Urupês, com apoio da Agência Artística, responsável pela administração da obra do escritor.

Localizado no Parque Sabará, a escola Amador Bueno da Veiga adota regime de ensino integral, que atende jovens vindos do Areão, Parque São Luiz, Vila Aparecida, Esplanada Santa Terezinha, Jardim Mourisco, Jardim Garcês, Parque Santo Antônio, Vila São Geraldo e outros bairros da região periférica da cidade.

“Tinha aluno que nunca tinha lido um livro inteiro”, constatou Analidia Tafuri, professora de Língua Portuguesa.

Um desses alunos foi Gislan Portela Mota, de 15 anos, que, com “Caçadas de Pedrinho”, descobriu e se encantou pelo mundo da literatura.

“Você entra junto com ele [Monteiro Lobato] na história. Dá certa vontade de você entrar naquele mundo ali”, afirmou.

Para a estudante Mari Angela, de 16 anos, a leitura de “O Saci” foi uma surpresa.

 “Achei muito diferente daquilo que a televisão passa”, comparou.

Outros destaques dos livros apontados pelos alunos foi o vocabulário. “Aprendi muitas palavras novas”, celebrou Caroline dos Santos Pedroso, de 15 anos, que leu Reinações de Narizinho, e a maneira universal como Lobato escreve suas obras.

“Lobato, pela sua escrita, tratou de diversos assuntos implicitamente de uma forma mais divertida”, aponta Ryan Ramos da Fonseca, de 16 anos, leitor de “O Saci”.

Mesmo quem já conhecia as obras de Lobato ficou impressionado ao reler os livros.

“Eu lia Sítio do Picapau Amarelo com outros olhos quando eu era pequeno, eu lia dando risadas das histórias, das aventuras. Quando li, agora, olhei para o livro e [pensei]: ‘caraca eu já li isso!’ Mas eu me espantei com o jeito que o livro é”, ressaltou William de Moura Andrade, de 15 anos, que leu Caçadas de Pedrinho.

O projeto foi realizado em 45 dias, desde o recebimento dos livros infanto-juvenis doados pela Agência Artística, responsável pela administração da obra do escritor taubateano, e pelos herdeiros de Lobato, até a leitura, debates e, ao final, a produção de resenhas sobre cada uma das obras.

“Foi uma aventura, como professora, mediar esses alunos nesse desafio de leitura. Eu fiquei surpresa com a capacidade que eles têm de filtrar as coisas e às vezes, na sala de aula, eles não dão o retorno que eles deram [no projeto]”, analiza Analidia Tafuri, professora de Língua Portuguesa.

Resenhas sobre livros de Monteiro Lobato produzidas por alunos da E.E. Amador Bueno da Veiga

Para o coordenador geral da escola, Rodrigo César Gonçalves “uma das dificuldades dos alunos da rede pública é fazer uma comparação, relacionar o texto verbal com o texto não verbal, linguagem verbal e não-verbal. E nesse projeto os alunos puderam durante todo o tempo fazer essa associação. Para gente [o projeto] é enriquecedor porque fortalece esse trabalho cotidiano de língua portuguesa na escola”.

“Porque o aluno está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo: lendo e produzindo. Não tem coisa melhor”, acrescenta Vilma Aparecida Ribeiro Talpo, professora responsável pela sala de leitura.

Para os estudantes compreenderem o período em que as obras infanto-juvenis foram escritas, os professores estudaram a biografia do autor.

“Nós fizemos toda uma pesquisa do universo de Lobato, porque infelizmente eles não conheciam muita coisa [do escritor] ainda”, disse a professora Agnes Elaine dos Santos, coordenadora de área, revelando a metodologia usada com os alunos para a produção dos textos.

Após a finalização dessa primeira fase do projeto, os 30 estudantes tinham como meta, caso gostassem da leitura, compartilhar o livro com outra pessoa.

Em muitos casos, a obra foi repassada entre os próprios familiares.

“Quando os alunos levaram esse projeto para dentro de casa, para família – ‘vou dar um livro pro meu pai e ele vai ler… vou dar um livro para minha tia e ela vai ler’-, nós estamos atingindo pessoas que estão fora do universo escolar e que provalmente nunca leram um livro, não tiveram essa oportunidade, esse incentivo. Essa foi a parte que mais me tocou, essa responsabilidade que nós estamos tendo: de passar esse compromisso, que esses meninos levem para dentro de casa, para a família”, explica Juraci Lima Sabatino, diretora.

Fichas de catalogação: indicam quem foi o primeiro leitor do livre e, posteriormente, para quem o livro foi doado; objetivo é compartilhar a obra com o maior número de pessoas

Álvaro Gomes, administrador da obra de Monteiro Lobato, ficou entusiasmado com o projeto? “[fiquei] encantado com essa iniciativa, com esse incentivo a leitura”.

“Cultura, educação e leitura são essenciais para o desenvolvimento de nossas crianças. São itens básicos”, afirmou Ricardo Monteiro Lobato, bisneto do escritor.

Outra bisneta do escritor, Cléo Hill Campos, afirma que “a leitura nos transforma e aumenta nossa capacidade de empatia. [Ela] realmente traz benefícios incontáveis. Acho de extrema importância essa iniciativa”.

O projeto Compartilhando Lobato é realizado pela produtora cultural Almanaque Urupês. Teve início no mês de abril, data que celebra o aniversário de Monteiro Lobato e o dia do livro, com crianças e adolescentes da rua Malhado Rosa, no bairro do Areão e tem como padrinho o músico Renato Teixeira.

“[O projeto] é quase uma redescoberta taubateana do seu filho mais ilustre. Esse brasileiro magnífico chamado Monteiro Lobato”, explica Renato Teixeira.

O projeto pode ser acompanhado em sua página no facebook (veja clicando aqui).

 

Veja os vídeos:

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