Realizada entre 11 e 17 de setembro, a terceira edição FLIT – Feira de Literatura Infantil de Taubaté, primeira do governo de Ortiz Júnior, levou 18 mil pessoas à Avenida do Povo, segundo informações da prefeitura. O custo do evento, afirmou o próprio prefeito, foi de 600 mil reais.

O número de visitantes foi abaixo do esperado. O projeto original inscrito no PROAC (Programa de Ação Cultural) do Governo do Estado de São Paulo  estipulou como meta do evento receber 50 mil pessoas, enquanto no material promocional enviado à imprensa durante o evento de lançamento do projeto em julho a estimativa era de 100 mil visitantes.

 “A nossa meta foi além, por ser a primeira [Feira realizada pelo governo Ortiz Júnior]. Nós tivemos passando por aqui [na FLIT] muito mais de mil pessoas por dia, contando com as crianças [estudantes] é obvio. O taubateano acreditou na feira”, conta Márcio Carneiro.

Voltada a estudantes, pais e professores, a FLIT promoveu, durante uma semana, programação com contação de história, oficinas, teatro com personagens do Sítio, intervenções culturais e shows musicais.

A prefeitura afirma que 3613 estudantes, de escolas públicas e particulares, de Taubaté e cidades circuvizinhas participaram do evento.

“ A gente trabalha a literatura o tempo todo. É diário isso na nossa escola, mas acho de grande importância para eles (participar do evento), porque além de aumentar o repertório, a gente vê a felicidade deles de estar em um lugar desse”, contou a professora Ana Cláudia dos Santos, da escola José Benedito dos Santos, no bairro do Paiol.
Para a professora Denise Neves, do Colégio Idesa, a FLIT foi uma “oportunidade das crianças de terem contato com uma outra forma de linguagem com teatro, contação de história, incentivando cada vez mais a capacidade de leitura e interpretação das crianças”.

 

Estandes

Onze estandes de editoras, sendo que seis pertenciam à mesma representante, participaram do evento.

“O importante foram os grandes contatos e negócios que nós fizemos aqui. Isso valeu mais na feira do que o próprio retorno financeiro”, ponderou Marina Longo, proprietária da D3 educacional, que  representava 6 editoras em dois estandes.

Dono do estande que representava a Ciranda Cultural, Augusto Ambrogi estimou ter vendido mais de mil livros, “principalmente os livros da Detetive Sol [da série Detetives do Prédio Azul]. A menininha [Letícia Braga] que nós trouxemos e encantou o público, só dela nos vendemos 400 exemplares”.

Os responsáveis pelo estande da Casa da Figureiro também saíram satisfeitos do evento.

 “A feira pra nós foi uma surpresa porque nós tivemos uma venda bem animada. Não acontece muito isso em Taubaté. Talvez pelo tipo da Festa, autores vieram aqui, quem gosta de livro [veio], então é um público mais seletivo”, conta Josiane Sampaio, figureira.

Os escritores locais revelaram uma disparidade sobre as regras para a comercialização de livros. Os membros da Academia Taubateana de Letras e da Academia Valeparaibana de Letras e Artes foram aconselhados a não disponibilizarem suas obras adultas para venda.

“O tema da feira é infantil, portanto a gente [ da Academia Valeparaibana de Letras e Artes] não podia trazer conteúdo adulto”, comentou Alberto Mazza.

A presidente da Academia Taubateana, Regina Célia Silva, que foi aconselhada da mesma maneira, questionou que se “a FLIT é infantil, é infanto-juvenil, então vamos todas as editoras respeitar isso e vamos achar um espaço para gente também divulgar os outros livros que a Academia tem, de poesia, de contos, de crônicas”.

Estrutura

Rampa sendo colocada na Avenida na sexta-feira à tarde.

Um dos pontos falhos da FLIT foi a acessibilidade a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Rampas para o acesso à cadeirantes só foram instaladas no quinto dia da feira, após protestos de visitantes. Além dos estandes não oferecerem acessibilidade – eram elevados e sem rampa -, o desnível entre calçada e rua obrigava cadeirantes e pessoas com baixa mobilidade a depender de ajuda para acessar a avenida.

“Eles tornaram um lugar plano em inacessível”, afirmou uma cadeirante que pediu para não ser identificada.

Os estandes não atendiam as normas de acessibilidade

Outra reclamação, principalmente entre os palestrantes da Tenda Narizinho, foi o calor excessivo no interior dos ambientes.

Interior Tenda Narizinho.

“Pegamos um momento de seca muito grande e isso foi difícil”, lembra Regina Célia Silva.

Augusto Ambrogi conta que “o pessoal reclamou muito por exemplo, que [tinha] banheiro químico, mas não [tinha] local para lavar as mãos”.

“[Precisamos] melhorar a questão de logística.  Por exemplo, esse calor doido da vida a gente precisa ver. Se precaver mais. Numa situação da Tenda [Narizinho] colocar ventilador ou colocar não sei o quê. É um dos pontos que a gente precisa reorganizar para o ano que vem”, explica Márcio Carneiro.

Área de alimentação com foodtrucks

A não participação de ambulantes da cidade e falta de conscientização ambiental também foram questionados.

“Essa feira não foi sustentável. Incomodou muito o lixo[reciclável] sendo jogado no lixo [comum]. Cultura e educação caminham junto”, acrescentou Solange Barbosa.

Local

Para as próximas edições, dentre as sugestões dos expositores está em repensar o local de realização.

“Sempre que a gente participa de evento literário, onde você consegue envolver um espaço com árvore, espaço com mais natureza, você  consegue explorar melhor o desenvolvimento de alguns projetos. Então a Avenida é bacana, mas eu acredito que Taubaté tenha outras opções que possam ser analisadas e estudadas pela prefeitura”, sugere André Luiz Cabral da editora Casa Cultura.

A produtora cultural, Solange Barbosa, do Centro Cultural e Biblioteca Zumbi dos Palmares, lembra que “as pessoas falaram do Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas lá não tem estrutura. Eu tenho um lugar que eu acho interessante que é o Parque Monteiro Lobato, […] que seria um espaço sensacional  para isso também”

Sobre a Avenida do Povo, o Secretário de Turismo e Cultura, justificou que “nós fechamos com escolas do Vale do Paraíba inteiro e era muito mais fácil chegar na Avenida do Povo do que, por exemplo, no Sítio do Picapau Amarelo, no Sedes. […] Eu creio que no momento é o melhor lugar para que pessoas de outras localidades posam chegar com mais facilidade.”

A duração do evento, sete dias, com horário de funcionamento das 9h às 22h também foi questionada.

“Eu só achei que foi muito tempo. Muitos dias. Acho que algo mais curto, como numa quinta, sexta, sábado e domingo. Em dias mais curtos, lotaria mais. Divulgação teve bem pouca também. Deveria ter mais divulgação” revela Jonathan Sousa, da editora Paulus.

Quanto à divulgação, a prefeitura esperava contar com mais de 120 veículos de comunicação, impactando mais de 2 milhões de pessoas.

Programação

A FLIT teve curadoria do Icult (Instituto de Cultura e Cidadania), que também foi responsável por buscar patrocinadores para o evento. A Feira Literária, que teve projeto aprovado em 18 de julho, foi custeada com dinheiro do PROAC (Programa de Ação Cultural), por meio de incentivo fiscal.

O valor captado no PROAC foi de 247 mil e 500 reais. Segundo o prefeito Ortiz Jr., o evento teve o custo de 600 mil reais.

” A gente não pode mais pensar em realizar as ações exclusivamente com o dinheiro do município. Eles cumpriram o papel moderno que é a união entre o governo municipal, do Estado, a sociedade civil organizada e o dinheiro da iniciativa privada. Sem essa parceria não seria possível realizar esse Festival”, explicou Romildo Campello, secretário adjunto de Cultura do Estado.

Mesmo com a curadoria da Icult, segundo o Secretário de Turismo e Cultura, Márcio Carneiro, “uma das coisas que eu mais discuti junto com o seu Romildo (Campello, secretário adjunto de Cultura de São Paulo) e com Icult [foi colocar na programação] ‘artistas daqui’ para ‘mostrar o potencial da nossa gente'”.

“[A] Maioria [dos participantes] teve cachê. Eles serão pagos. Alguns vieram voluntários, de acordo com contraproposta dos estandes, mas a maioria, 90 por cento, tiveram o seu cachê vindo da Secretaria do Estado.”

Além da ICULT, foi instituída uma comissão organizadora formada por Edson Quirino “Chacrinha”, Chefe do Gabinete do Prefeito, Márcio Carneiro, Secretário de Turismo e Cultura, Gisele Machado, diretora do Departamento de Educação e Rose Duarte, diretora do Departamento de Comunicação de Prefeitura.

A parceria entre o chefe do gabinete e o secretário de cultura, já tinha sido ressaltada por Ortiz em junho.

“Se a gente caminhou até aqui a gente deve muito ao Edson, chefe de gabinete. Existem três projetos importantes que o gabinete tem se colocado a disposição do secretário [de cultura] Márcio [Carneiro] para fazer acontecer. […] Esse [a FLIT] é o segundo deles.”

Edições anteriores

A FLIT – Feira de Literatura Infantil de Taubaté já havia sido realizada em 2011 e 2012, no governo de Roberto Peixoto.

 

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